
31 de Março, Sábado 18h
Shorter Circuits: Finance, Feedback, and Culture in the Second Wave of the Crisis por Benedict Seymour.
Benedict Seymour irá discutir o modo como as revoltas e re-estruturações de 2011 poderão estar a originar uma nova vaga de crise, perante a qual as estratégias de acção, redução e austeridade, tomam forma, propagando novos conflitos e problemas no sistema. Com a passagem da dívida dos bancos para os Estados, e dada a substituição da insolvência do capital privado pela insolvência de nações soberanas e pelo empobrecimento das populações, o feedback cíclico da crise dá lugar à repressão aberta. Será, portanto, feita uma reflexão sobre a consequente exaustão (formal) dos processos políticos (protestos, greves, etc) na Europa e no Reino Unido, tendo em consideração em que medida modos de acção "apolítica", tais como os motins de Agosto passado no Reino Unido, tomam o seu lugar. Serão estes uma forma mais elaborada e avançada de prática política? De que modo equivalem ou invertem estas dialecticamente as formas da finança contemporânea ( 'algobots' automatizados, 'high frequency trading' e 'flash crases'), e qual será o papel dos meios sociais cibernéticos (Twitter, Blackberry, smart phones etc) para a desarticulação do comportamento do consumidor no sentido de formas de acção colectiva de anti-valor ou de depreciação.
Benedict Seymour é escritor, músico, realizador e co-editor da plataforma e da revista Mute. A sua pesquisa foca-se em temas como a crise financeira ou social; o capital ficional e o saque do social e da sua reprodução; a austeridade, abstracção e a sua inscrição artística e audiovisual. Presentemente desenvolve um ensaio video sobre o capitalismo disléxico, política afásica, e motins como forma de inscrição (actos contra o capital). De momento, Benedict Seymour completa o seu Doutoramento na University of Wolverhampton's School of Art & Design, com pesquisa teórico-prática em "Imagética do Dinheiro/Tempo: Capital Ficional, Filme e Não-Reprodução Social", e lecciona no Mestrado de Artes Plásticas da Goldsmiths University of London.
5 de Abril, Quinta-feira 18h30
Público, Privado e Comum por Ricardo Noronha (Unipop).
O papel da propriedade está hoje substancialmente alterado. A apropriação de bens materiais foi em tempos a essência da propriedade. Hoje, na sua forma imaterial, o capital procura apropriar-se sobretudo do comum, ou seja, do conjunto das relações colocadas em rede no processo produtivo – todos os aspectos da vida tornados objectos e sujeitos do que é produzido. Esta tendência do capitalismo para transformar o comum em propriedade privada produz, em simultâneo, as condições de resistência ao capitalismo e de construção de novas relações sociais baseadas na cooperação – o comum do comunismo. Por outro lado, o neoliberalismo acentuou a oposição entre a propriedade privada e a propriedade pública, uma tensão entre a compulsão para a apropriação particular e uma universalidade abstracta consubstanciada no Estado. O desenvolvimento do comum expressa a negação desta oposição, na medida em que é, em si e enquanto produção de subjectividades, a negação da noção de propriedade e, ao mesmo tempo, a sua auto-afirmação, «a afirmação da produção biopolítica aberta e autónoma, a permanente criação autogovernada de nova humanidade».
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Copyright Policies | Free/Open Culture Movements por Teresa Nobre (Creative Commons).
Nesta sessão serão apresentadas noções essenciais sobre movimentos de free/open culture, novos modelos de negócio assentes em licenças Creative Commons, educação aberta e limites do direito de autor e dos direitos conexos. Estes posicionamentos militantes serão discutidos em contraste com as recentes propostas legislativas e acordos internacionais que tentam controlar a prática de partilha proporcionada pela era digital, tais como a SOPA e a PIPA e o ACTA. Desta forma, abrir-se-á um debate que proporcionará uma discussão aberta sobre questões como propriedade intelectual e sua regulamentação, liberdade de criação e direito de acesso, ou a evolução orgânica da produção de conhecimento.
Ricardo Noronha é doutorado em História (ramo de História Económica e Social Contemporânea) pela Universidade Nova de Lisboa, dedicando-se ao estudo das transformações políticas, sociais e económicas durante o processo revolucionário português de 1974-75. É membro do colectivo UNIPOP.
Teresa Nobre trabalha como consultora jurídica e presta serviços de consultoria e investigação em Propriedade Intelectual a artistas, empresas criativas, empresas tecnológicas, sociedades de advogados, consultoras e entidades públicas. Tem também trabalhado em projetos ad hoc da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, na qualidade de consultora portuguesa. E é coordenadora de projeto jurídico da Creative Commons Portugal, sendo responsável por adaptar todas as licenças CC e demais ferramentas jurídicas à legislação portuguesa e por prestar apoio aos principais licenciantes portugueses (incluindo o governo português). Tem uma licenciatura em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e um mestrado em Propriedade Intelectual pelo Munich Intelectual Property Law Centre e está inscrita como advogada na Ordem dos Advogados Portugueses. Ela dá conferências e aulas em Gestão Estratégica de PI, Licenciamento de PI e Transferência de Tecnologia, Tendências em Direito de Autor e Licenças Abertas, e está atualmente a organizar em um evento colaborativo e multidisciplinar dedicado à Cultura Aberta.
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